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A DIOCESE FICOU MAIS RICA: TRÊS LOCOMOTIVAS PARA O TREM DE SUAS PASTORAIS

A Igreja está onde nós, o Povo de Deus, estamos; e não fica Em Dia com a Igreja aquele que fica longe do que pensa, sente e vive a Diocese onde mora.
Assembleias, como a que aconteceu, durante três dias, em Sobral, no Cetreso, vizinho à UVA, e que teve seu encerramento domingo passado (dia29 de janeiro), são algo mais que uma fotografia em cores. È uma radiografia de todo o corpo eclesial. Se a assessoria é boa, e se ela sabe ler a realidade, Assembleias são como uma ressonância magnética nuclear. Daquelas que agora a Santa Casa produz para os seus pacientes. É precisa, porque vai até aos recônditos dos seus organismos.
Assim mesmo. Quem participou da 30ª. Assembleia Diocesana deu-se conta das mil e uma facetas passíveis de serem mostradas quando uma Diocese, comunidade eclesial, expõe suas ações, suas dificuldades, suas lutas, seus projetos a serviço do Reino de Deus. Uma riqueza. Trabalho de voluntários.

Pura doação.
Com o tema: “Igreja na Diocese de Sobral: Boa Nova em Novos Tempos”, a 30ª. Assembléia inovou. O usual era sair-se das Assembleias com um Projeto concluído, estabelecendo prioridades da ação pastoral para um determinado período. O método de trabalho, já do domínio da maioria dos participantes, era sempre a seqüência: Ver, Julgar e Agir. Havia um olhar sobre a realidade social e eclesial do momento; estabelecia-se um confronto dessa realidade com a Palavra de Deus; em seguida, projetava-se, como resposta, as ações futuras enquadradas em grandes metas a atingir pelo trabalho pastoral de todos os organismos e agentes pastorais, padres, religiosos e leigos.
Agora foi diferente. Embora o tempo dedicado à Assembleia tenha sido o mesmo das edições anteriores (quatro dias), os mais de 200 participantes nem fizemos revisão, ou avaliação do passado, e concluímos apenas uma primeira etapa. Daqui para frente é ir dando continuidade a um projeto que, até final de março, irá ganhando corpo com as Assembleias Paroquiais, seguidas das Assembleias Regionais, até agosto, encerrando-se, em novembro, com a redação de um programa de ação aprovado, a ser executado no período de três anos preparatórios das celebrações do ano centenário da Diocese, em 2015.
UM GIGANTE ADORMECIDO
O forte nesta primeira etapa foram os depoimentos dos palestrantes convidados. Mostraram a realidade de violência, de pobreza e de carência de atendimento à saúde que caracteriza, de modo preocupante, a vida social em que estamos situados. Apontaram tentativas do Estado no desejo de contribuir com a solução destes problemas, via Bolsa Família e Projeto Brasil sem Fome.
A visão crítica do filósofo social, padre Manfredo de Oliveira, da UFC, nos ajudou a compreender o mundo em que habitamos, com sua estrutura e funcionamento moldados por um capitalismo bem distante do projeto de Jesus a quem devemos servir. Concluiu ensinando que: “o ser humano não foi feito para a economia; esta, sim, foi feita para o homem”.
O olhar teológico do pastoralista,  padre Junior Aquino,  da Diocese de Limoeiro do Norte, nos encaminhou a tomarmos posição diante da tarefa de construção de um projeto pastoral coerente com a visão cristã, moldando nossas ações em duas linhas fundamentais e indispensáveis: o jeito de ser de Jesus e a atenção às realidades da vida presente.
Convidado a falar também, o padre Emídio Moura tentou fazer um retrato atual da Igreja que somos nós. Conseguiu, com seu bom humor pastoral, animar os participantes da Assembléia; uma pena é que não tenha tido tempo de ir além dos pontos mais obscuros e fracos da vida eclesial, desde o final da Idade Média até os nossos dias.
Já no último dia da Assembleia, chamou a atenção o depoimento de Dom Odelir ao dizer que, chegando a Sobral, um ano atrás, surpreendeu-se com a riqueza que tinha a Diocese que viera assumir. E isto, tanto em suas estruturas físicas como nas organizações, e na qualidade e diversidade de seus agentes e lideranças pastorais. No entanto, em tom de desafio, nos fez apelo, quase como num desabafo: “Mas…, é um gigante adormecido, do ponto de vista missionário!…”.
O USO DAS NOVAS TÉCNICAS DA ROBÓTICA
Mais adiante, o Bispo Diocesano, de forma didática, e tendo como chão as chamadas cinco “urgências” da Igreja do Ceará (Igreja em estado de missão permanente: Igreja, casa da Iniciação à vida Cristã; Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral; Igreja: comunidade de comunidades; Igreja: o serviço da vida plena para todos) e os dois eixos da Ação Evangelizadora (formação e serviço à vida), apresentou na Assembléia, com recursos do áudio-visual, três locomotivas que, no processo de elaboração do projeto pastoral da Diocese, deverão estar presentes em todos os recantos da vida diocesana: a Formação (para padres e leigos), a Missão (em estado permanente) e uma Igreja a Serviço da Vida plena para todos.
Em sua palavra, dentre outras informações, Dom Odelir, anunciou para Junho, como um serviço da Campanha da Fraternidade 2012, um grande Seminário sobre a Saúde, quando serão esperados, para participação e debate, o Governador do Estado, os secretários de saúde, prefeitos da Região e convidados especiais.
Resta esperar que, na etapa de realização do que for planejado, não nos faltem as condições para uma pastoral Em Novos Tempos. Se no diagnóstico da realidade, procedemos como quem faz uso da ressonância magnética, é de se esperar que, na solução dos problemas que nos afetam, tenhamos as condições de agir, à semelhança do que hoje sonham os cuidadores da saúde em seus modernos hospitais: com o uso das novas técnicas da robótica.
*Professor do Instituto de Teologia e Pastoral (ISTEP) e  Pároco de Cruz

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